@crsf

Barbie e a abertura econômica

Barbie e a abertura econômica

JÚNIOR MACAGNAM

Após a reforma trabalhista e tributária, e na “torcida” para que o Senado diminua e não aumente o número de exceções, o próximo passo é aprofundar a discussão e avanço sobre a abertura comercial do Brasil.

A ideia é entender se há movimento de apenas focar na exportação dos produtos primários ou estimular a venda dos produtos nacionais para resto do mundo, e aproveitar o reaquecimento da economia pós pandemia.    

A expectativa é que as reformas possibilitem a ampliação do grau de abertura comercial. Essa perspectiva se consolida na medida em que as tarifas dos impostos de importação praticados sejam competitivas e não protecionistas.   

O Brasil é um país que menos importa bens, serviços e matéria-prima em relação ao PIB, ou seja, somos uma das economias mais fechadas do mundo até mesmo em relação a Cuba.   

Com a economia fechada não há possibilidade de progredir na produtividade e competitividade. O modelo de indústria diversificada que produz todas as etapas da cadeia produtiva aqui dentro, não faz sentido.

O mundo nos mostra o contrário, este fechamento da economia fez com que o movimento de globalização e a inserção nas cadeias globais não fosse aproveitado.  Desde então a indústria não cresceu e inclusive perdeu participação no PIB e uma grande oportunidade.   

Para exemplificar esta visão basta analisar, neste momento, a boneca Barbie que virou o centro das atenções com o filme. Vamos usar seu exemplo para mostrar a importância de fazer parte da cadeia global de produção.

O design é dos EUA, a distribuição é feita de Hong Kong, o nylon é japonês, é moldada na Malásia, China ou Indonésia com PVC vindo de Taiwan feito com petróleo extraído da Arábia Saudita. Agora imagina isso com todo o protecionismo que o Brasil impõe, quanto foi perdido por não estarmos inseridos no mercado mundial.    

Infelizmente o atual governo está preso à mentalidade protecionista, enquanto o mundo busca a integração e livre comércio. Seu posicionamento impede, o que pode significar junto com a reforma tributária, a continuidade trabalhista e a independência do Banco Central.    

Esta postura de restringir para proteger o mercado interno da concorrência externa, só beneficia grandes empresas e mantem reserva de mercado, o que é incompatível com a forma de fazer comércio mundial.

É preciso atender os pequenos, médios, emergentes, MEIs e simples que tem crescido no Brasil. Em 2023 surgiram 1,3 milhão de empresas, no total são 21 milhões de CNPJs ativos no país.     

O verdadeiro estímulo à economia local, que impacta na nacional, é capacidade de alcançar mais mercado e assim escalar a produção. É preciso olhar com empolgação as inovações de hoje, a forma de fazer comércio mudou e é preciso dar liberdade, acesso à informação e estímulo a quem inova e expande. Este é o futuro, a ampliação não a restrição.      

 

Júnior Macagnam é empresário e vice-presidente Institucional da CDL Cuiabá.

Faça um comentário // Expresse sua opinião...

Veja os últimos Comentários

Veja também

Governador assina ordens de serviço para continuidade de obras de dois Centros Educacionais Infantis em VG nesta terça-feira (30)

Governador assina ordens de serviço para continuid...

O governador Otaviano Pivetta assina, nesta terça-feira (30.6), duas ordens de serviço para a continuidade das obras de duas unidades...

“MT se consolidou como um dos principais destinos de investimentos do país”, afirma secretária

“MT se consolidou como um dos principais destinos...

Nos últimos sete anos, Mato Grosso avançou em diferentes áreas estratégicas, com investimentos em infraestrutura, sa&ua...