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Eleição presidencial no Peru segue indefinida com mais de 90% das urnas apuradas; Fujimori tem vantagem de menos de um ponto

Herdeira do ditador Alberto Fujimori, Keiko tem 50,2% dos votos; candidato da esquerda, Roberto Sánchez soma 49,7%

Eleição presidencial no Peru segue indefinida com mais de 90% das urnas apuradas; Fujimori tem vantagem de menos de um ponto

O resultado da eleição presidencial no Peru segue incerto na manhã desta segunda-feira (8), com mais de 90% das urnas apuradas. A candidata do campo conservador, Keiko Fujimori (Força Popular), lidera numericamente, com 50,2% dos votos válidos, praticamente empatada com Roberto Sánchez (Juntos pelo Peru), representante da esquerda, com 49,7%. A apuração já passa de 92%, e a diferença entre os candidatos é de quase 86 mil votos.

Após o encerramento da votação, pesquisas de boca de urna indicavam uma disputa acirrada entre os concorrentes, com ligeira vantagem para a herdeira do ditador Alberto Fujimori.

Após um primeiro turno marcado por falhas técnicas e denúncias de fraude, a votação final transcorreu com normalidade no país neste domingo (7).

Quem é Keiko Fujimori

Aos 51 anos, Keiko disputa a presidência do Peru pela quarta vez, após ter sido derrotada no segundo turno nas três tentativas anteriores. Formada em administração nos EUA, ex-parlamentar e líder do partido Força Popular, ela se apresenta como uma profissional da política que cresceu nos corredores do poder. Esta é a sua primeira eleição sem o apoio físico de seu pai, o ex-presidente Alberto Fujimori, falecido em 2024.

O sobrenome garante fatia de um eleitorado fiel que lembra o controle da hiperinflação e a derrota de grupos guerrilheiros (como o Sendero Luminoso) na década de 1990. Mas, por outro lado, gera uma rejeição massiva de milhões de peruanos devido ao histórico de autoritarismo, corrupção e violação de direitos humanos do antigo regime.

Muitos atribuem a Keiko e ao seu partido grande parte da crônica instabilidade política do Peru da última década, acusando o Força Popular de usar sua forte influência e alianças no Congresso para desestabilizar governos passados. Keiko enfrenta pendências com a Justiça. Ela chegou a passar mais de um ano em prisão preventiva enquanto era investigada por suposta lavagem de dinheiro no escândalo de corrupção da Odebrecht.

Sua campanha focou na promessa de restaurar a ordem. Keiko traçou um paralelo com a linha dura de seu pai contra o terrorismo para prometer o fim do crime organizado, além de atacar o adversário de esquerda, afirmando que o modelo dele “leva à pobreza e ao caos”.

A esquerda

Roberto Sánchez é um psicólogo de 57 anos, que se apresenta como o candidato do “Peru profundo”, pobre e rural, representando os cidadãos excluídos pelas elites. Ele usa o chapéu de palha herdado do ex-presidente Pedro Castillo como símbolo identitário da população andina.

Ele chegou ao segundo turno após surpreender nas pesquisas e avançar na votação de abril. Sánchez foi ministro do Comércio e Turismo no breve governo de Castillo (destituído e preso em 2022 após tentar um autogolpe). O candidato visita o ex-presidente com frequência e promete indultá-lo caso seja eleito.

Fundador do partido Juntos pelo Peru, sua candidatura cresceu após uma aliança com Castillo. Sua base mais forte está nas populações rurais e pobres do sul dos Andes, capitalizando um voto de protesto e o eleitorado remanescente do “castillismo”. Ele defende a ruptura com o modelo econômico liberal da Constituição de 1993.

Sánchez propõe convocar uma Assembleia Constituinte, criar um Estado plurinacional (com participação de povos indígenas, nos moldes de Evo Morales na Bolívia) e realizar uma reforma judicial para que juízes e promotores sejam eleitos pelo voto popular. Sánchez afirma não ser comunista, mas vir do social-cristianismo, define-se como “homem de fé”, “pró-vida” e “pró-família”, e chegou a frequentar um seminário católico na juventude.

Após passar para o segundo turno, o Ministério Público peruano reativou um caso em aberto contra ele por suposta falsificação de informações sobre aportes em sua campanha legislativa entre 2018 e 2020.

 

 

 

 

 

 

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